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O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Banksy, Assange e a Subversão Premiada

. . Por Thiago Aoki, com 7 comentários

Duas possibilidades de premiações polêmicas movimentaram o cenário artístico e político durante as últimas semanas. No primeiro, o misterioso, supostamente inglês, Banksy, artista guerrilheiro e de identidade desconhecida – há até quem diga que na verdade o nome represente um coletivo de artistas que subvertem a vida urbana - tem seu documentário indicado ao Oscar 2011. No segundo, o australiano, fundador da organização Wikileaks, Julian Assange, que já teve a cabeça pedida pelos republicanos norte-americanos por divulgar informações confidenciais da política externa ianque, concorre ao Nobel da Paz.

Banksy já deu sinais, em seu site oficial, de que aceitará o prêmio, apesar de não estar de acordo com o conceito de cerimônias de premiação. Tem sido frenquente este movimento na carreira do artista, que não se furta de buscar os holofotes para então, agir como guerrilheiro urbano. O trabalho que fez para a série “Os Simpsons”, já comentado em post anterior, é um exemplo sintomático. Não se sabe o que pode acontecer na celebração mais luxuosa no mundo, caso seja mesmo agraciado. Lembrei-me agora de quando os Racionais MCs aceitaram participar do Video Music Brasil, festa pop da MTV e causaram desconforto quando Mano Brown agradeceu sua mãe que “lavou muita roupa pra playboy” para ele poder estar ali. No caso de Banksy, o artista marginal já deu um aperitivo para que os membros da gigantesca indústria cinematográfica norteamericana não esperem dele um discurso de celebridade. Vejam (abaixo) como apareceu um célebre mural de Los Angeles, terra do Oscar. Ele não assumiu a autoria do painel, mas de qualquer modo, são traços típicos, com soldados já desenhados em outros trabalhos.

Por trás de uma suposta loucura dos homens que mandam em Hollywood é preciso levar em consideração que teremos um dos Oscar menos badalados dos últimos tempos, com superproduções que decepcionaram e com um filme favorito (A Rede Social) que não teve tanto sucesso, sendo relativamente fraco em renda e público, apesar de todo o conluio para que o longa emplacasse. A ideia de levar Banksy à festa, longe de insana, é também um modo de voltar as atenções e retomar o diz-que-diz que necessariamente deve acompanhar o evento. Banksy e a Indústria Cultural vivem em uma retro-alimentação que parece tênue por ser paradoxal, mas que vem dando muito certo a ambos. Até agora.

Já para Assange, concorrer ao Nobel da Paz é um capital político fundamental para manter suas ações e redes políticas. O grande trunfo que possibilitou sua indicação e que pode levá-lo de fato à conquista é o precipitado prêmio dado, em 2009, a Barack Obama, sob o pretexto de que o estadista americano teria “ideias de boas intenções para reforçar o papel da diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”. Premiar o hacker australiano que causa amálgama na política internacional estadunidense seria também um esforço em recuperar a credibilidade da premiação que privilegiou os Estados Unidos nas duas últimas edições, tanto ao premiar Obama como ao premiar em 2010 – a meu ver justamente - Liu Xiaobo, preso político da China, que tem polarizado a hegemonia global com os EUA. Assange, já havia conseguido apoio de diversas entidades e de alguns estadistas, como o ex-presidente Lula, agora tem a chance de levar uma das mais importantes e respeitadas premiações internacionais. O fato de poder ser contemplado com o prêmio, ridicularizaria ainda mais a perseguição política que sofre, sob a forma de um bizarro processo que está respondendo a organismos internacionais por ter feito sexo sem camisinha. Já pensaram um “criminoso sexual” com o Nobel da Paz?

Os dois casos, de Banksy e Assange, mostram nas entrelinhas como dois atores sociais, que têm atuado com êxito e certa popularidade em suas ações políticas contestatórias, são “reconhecidos” pelo campo hegemônico e centros de poder. Para Banksy, fica o enigma de como demonstrar ao maior público que já obteve em suas intervenções, o que um “artista guerrilheiro” faz diante de uma situação de tanto glamour e status. Já para Assange, um fôlego político e o desafio de que a responsabilidade em ser considerado um dos que mais contribuíram para a paz mundial não seja um empecilho para que suas subversivas revelações venham à tona. É aguardar os próximos capítulos.

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Quem tem medo do Wikileaks?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quem tem medo do Wikileaks?

. . Por Thiago Aoki, com 1 commentário

Julian Assange, australiano fundador do Wikileaks, é a bola da vez e ninguém consegue defini-lo.

Na grande mídia, revistas e jornais se contorcem ao tentar julgá-lo. Ora santo, por gerar furos que todos gostariam de ter dentro do que se entende por jornalismo; ora demônio porque, no fundo, a contestação e liberdade de expressão de Assange vai em sentido contrário ao conservadorismo político dos donos dos jornais.

A esquerda, que não encontrou em nenhum grande autor termo para alcunhá-lo, acaba por incorporar parte das ideias de Assange, ainda tímida e forçando esdrúxulas ligações com Marx, Trotsky, com o movimento comunista transnacional, ou que quer que seja. A direita está dividida. Enquanto alguns deleitam-se por gafes da política externa brasileira e latinoamericana serem trazidas a público, parte dela se revolta com a irresponsabilidade moral do jovem.

O incômodo é tanto que parte dos republicanos estadunidense não aceitam tamanha humilhação e defende a condenação à morte para o "ciberterrorista", "ciberativista", ou simplesmente vagabundo. Até a Interpol já criou fatos e manteve preso o rapaz sob a acusação de (pasmem!) transar sem camisinha. Seguindo a lógica, deveria então indiciar boa parte dos cânones da igeja católica. Aliás, não duvido que, se o Wikileaks anunciasse ter documentos do Vaticano, até o Papa viria a público condená-lo por não usar preservativos.



Assange, com as decorrentes contradições dos discursos dos mais distintos atores sociais diante dos furos do Wikileaks, conseguiu, mais que Nelson Rodrigues, mostrar que, no topo da pirâmide de poder do mundo, todos os faraós têm teto de vidro. O jovem não é um louco ingênuo. Prova disso foi a inteligência que teve em revelar documentos de Dilma após as eleições. Assange, que já possuía os documentos, poderia ter caído na tentação da fama e ser protagonista em uma virada histórica de José Serra, mas teve sabedoria política para não o fazer. Outro exemplo de noção política é o de sempre, em seus discursos, esquivar-se do personalismo e colocar o Wikileaks como uma organização maior que ele, com mais pessoas que lutam pelo ideal de um mundo verdadeiramente livre. Força esta demonstrada por Hackers que se unem em ações pró-wikileaks.

Um impulso corre os dedos que teclam essas letras para nominá-lo como fundador de um novo movimento, independente, organizado e de cunho anárquico. Não o farei. Apenas posso afirmar que sua imponência é uma lição a todos os que se consideram portadores de ideais revolucionários, e deixam de lado o novo, colocando tudo o que surge como modismo e alienação. Assange domina e subverte a onda de tecnologias, redes sociais e indústria cultural com um ambicioso projeto, de difícil contenção.

Que o poder, seu e dos demais, não sucumba estes que esculacham os poderosos..




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Em tempo:

1) Com os diversos ataques hacker aos quais a wikileaks.org vem sofrendo, quem organiza e distribui as notícias do site referentes ao Brasil para a mídia brasileira é Natália Viana, jornalista independente. Ótimas mãos.

2) Veja a resposta, mais uma vez lúcida, de Assange ao pronunciamento de Lula.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Conto retirado de uma notícia de portal

. . Por Thiago Aoki, com 0 comentários

Extra, Extra!

Mensagem oficial destinada ao governo estadunidense é revelada em site subversivo. O telegrama foi enviado ao presidente dos Estados Unidos por um importante e condecorado membro do alto escalão da inteligência ianque. Segundo informações do site, o mesmo fora mandado para terras tupiniquins há três meses, com a missão de entender o modo de vida do maior país da América Latina. No trecho traduzido abaixo, o “espião” relata detalhes da política interna brasileira ao chefe de Estado norte-americano:

Caro presidente,

É preciso ficar atento ao povo brasileiro.


Temos que desmistificar a ideia de que o brasileiro tem memória curta.


É mentira.


Tampouco é hospitaleiro ou gentil.


Tudo mentira.

É um povo rancoroso, que pode nos trazer futuros problemas.

Para se ter uma idéia, senhor presidente,


No Brasil, são necessários anos, décadas


Para quase se esquecer uma paixão,


E apenas o intervalo de um samba cadenciado


Para relembrá-la inteiramente.


É preciso ficar atento, senhor presidente.”



O presidente dos EUA negou a autenticidade da carta. Já a presidenta brasileira ressaltou que o episódio não abalou o relacionamento entre os países.

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