Ler ouvindo "Eu quero é botar meu bloco na rua" de Sérgio Sampaio
Lembro-me de um dos indigestos contando-me uma história que lhe ocorrera num ônibus em Campinas, onde um certo senhor reclamava sobre qualquer coisa (que poderia não ter nem aberto a boca para tal). Reclamação essa menos importante aqui nesse relato, diante de tamanho impacto da sua ação seguinte. Segundo nosso indigesto detalhista o senhor teria coloca as costas da mão direita no ombro esquerdo e agitado a mão como se "espanasse" uma poeirinha ali, proferindo frase sem igual:
- No tempo das estrelinhas que era bom!
Não mais inquietante foi ler nessa última terça-feira, dia 12 de janeiro desse ano novo, o texto de Jorge Roriz (capitão da reserva do Exército e deputado federal pelo PP do Rio de Janeiro) publicado no espaço Tendências e Debates da Folha de São Paulo. O texto intitulado Comissão da Inverdade coloca a "revolução de 64" como um golpe democrático dos militares e nos "revela" que foi uma demanda da imprensa, da Igreja Católica, de empresários, de agricultores e de mulheres, que saíram às ruas pedindo aos militares que salvassem a nação da possibilidade de uma ditadura do proletariado e que os militares deflagraram um Estado democrático ao Brasil. O texto do comandante do exército e deputado federal faz referência a Comissão da Verdade, projeto de janeiro de 2010 do ainda presidente Lula, que previa uma comissão para apurar crimes de tortura e assassinato por militares durante o regime militar. Modificado em maio de 2010, prevê, então, a investigação de violação aos direitos humanos praticados durante o regime militar, tanto pelos militares como por grupos contra a ditadura.
O projeto parecia ter sido esquecido quando a então presidenta eleita Dilma Roussef apressa-se em aprovar o projeto. Participante ativa de grupos guerrilheiros armados da esquerda que lutavam contra a ditadura militar instaurada no Brasil, Dilma violou direitos e foi vítima de torturas. O caro Jorge Roriz parece tapar aos olhos para enxergar o número de casos de mortes e torturas a milhares de pessoas por todo o Brasil e enxerga com clareza e precisão o caso de um carro bomba que explodiu no QG do primeiro Exército matando UM almirante e UM recruta. Não é o caso aqui de auferir justiça nas mortes ou qualquer viés democrático ou anti-democrático às ações de um lado ou outro, mas não se pode fazer-se cegar estrelinhas no ombro e nacionalismos encravados no peito.
Ainda nesse curto período como presidenta Dilma já causou nova polêmica ao mandar retirar Bíblia e crucifixo do seu gabinete no Palácio da Planalto. Tema recorrente dos embates políticos nas campanhas eleitoreiras de 2010, Dilma, que diziam atéia, se colocou a favor da liberdade religiosa, escapando de uma caracterização que poderia tirar alguns votinhos dela.
Seria referida ação resultado do respeito a liberdade de culto ou de sua antiga prática libertária de esquerda?
Dizer que a esquerda só chegou ao poder graças aos militares de 64 que impediram a instalação de uma ditadura do proletariado...doeu!