Pego carona em post de um de nossos indigestos, volto a falar de Noel Rosa mas sobre outra perspectiva. Acontecimento anterior ao Carnaval 2010 e que marcou o início dos eventos de homenagem da nossa querida Academia Brasileira de Letras: Noel, o Acadêmico do Samba.
Cartola já anunciava sobre os "tempos idos" nunca esquecidos de uma história que começa lá na Praça Onze e que atingiu até marte (Coisinha do Pai, letra de Jorge Aragão na voz de Beth Carvalho, que despertou os jipes do Laboratório de Propulsão a Jato - JPL, na quadragésima nono dia da missão em Marte. No dia seguinte os robôs foram despertados com Samba de Marte, também Beth Carvalho). Esse ano o enredo da Unidos de Vila Isabel homenageou o poeta que nasceu la na vila e nem sequer vacilou com o feitiço que tal vila poderia rogar em todo o mundo. "Noel a Presença do 'Poeta da Vila'" foi o título para o enredo da escola de samba da vila, com samba de Martinho da Vila para o desfile de 2010 (que obteve o quarto lugar).
Voltando ao tempos idos, falemos dos tempos vindos e da importância que trás Cartola do samba ter entrado no Municipal, porque se hoje ele é branco na poesia, ele é negro demais no coração. O que presenciamos é a entrada do Poeta da Vila na Academia Brasileira de Letras, ABL, com o título de "Acadêmico do Samba". Do poeta humilde, de vida efêmera (pelo anos de vida. Morreu com 26 anos), com mais de 300 composições, Noel de Medeiros Rosa, ou popularmente Noel Rosa, foi coroado com uma homenagem ao seu centenário na ABL.
Interessantes como se dão muitas vezes as coisas na campo artístico. As relações de força na estrutura desse campo de legitimação e valorização da arte, necessitam muitas vezes de instituições que legitimariam o que é arte, como valorizar tal arte e se tal manifestação artística tem valor cultural. Nessa dinâmica se percebe a força legitimadora da ABL em tornar um dos maiores compositores e sambistas do Brasil em um Acadêmico do Samba. Somente depois de apenas cem anos de seu nascimento Noel pôde ser reconhecido com um "verdadeiro" poeta. O reconhecimento (não mais que uma mera homenagem) pela academia, faz tratar, agora, o samba como arte, literatura, coisa de valor. O que antes era malandragem, que virou mercadoria, e até identidade do brasil, hoje pode ser reconhecido como literatura.
Sim, para o samba e sambista, não creio que há ressalva alguma, talvez, glória e satisfação. No entanto, não é pelo samba ou para o samba que existe uma estrutura que continua a legitimar e poder falar o que é ou não arte, ou literatura. Há um campo em jogo, em conflito, em que, aqueles que querem devem seguir e jogar suas regras. Quem sabe revolucioná-las, e assim serem a vanguarda de tal campo.
Martinho e a agremiação da Unidos de Vila Isabel, foram convidados a dar a largada nas comemorações do centenário do acadêmico do samba. Participaram de um almoço e fizeram o carnaval em frente a ABL. Organizador do evento, o presidente da ABL, Marcos Vilaça, conhecido por tentar aproximar a academia com o grande público (já realizou outras homenagens como a Villa-Lobos, Roberto Martins e Ataulfo Alves), disse que essa homenagem "é sinal de uma grande abertura" na ABL. Será?
Agora Martinho teve que se perguntar com que roupa iria em evento tão sublime?!Interessantes como se dão muitas vezes as coisas na campo artístico. As relações de força na estrutura desse campo de legitimação e valorização da arte, necessitam muitas vezes de instituições que legitimariam o que é arte, como valorizar tal arte e se tal manifestação artística tem valor cultural. Nessa dinâmica se percebe a força legitimadora da ABL em tornar um dos maiores compositores e sambistas do Brasil em um Acadêmico do Samba. Somente depois de apenas cem anos de seu nascimento Noel pôde ser reconhecido com um "verdadeiro" poeta. O reconhecimento (não mais que uma mera homenagem) pela academia, faz tratar, agora, o samba como arte, literatura, coisa de valor. O que antes era malandragem, que virou mercadoria, e até identidade do brasil, hoje pode ser reconhecido como literatura.
Sim, para o samba e sambista, não creio que há ressalva alguma, talvez, glória e satisfação. No entanto, não é pelo samba ou para o samba que existe uma estrutura que continua a legitimar e poder falar o que é ou não arte, ou literatura. Há um campo em jogo, em conflito, em que, aqueles que querem devem seguir e jogar suas regras. Quem sabe revolucioná-las, e assim serem a vanguarda de tal campo.
Martinho e a agremiação da Unidos de Vila Isabel, foram convidados a dar a largada nas comemorações do centenário do acadêmico do samba. Participaram de um almoço e fizeram o carnaval em frente a ABL. Organizador do evento, o presidente da ABL, Marcos Vilaça, conhecido por tentar aproximar a academia com o grande público (já realizou outras homenagens como a Villa-Lobos, Roberto Martins e Ataulfo Alves), disse que essa homenagem "é sinal de uma grande abertura" na ABL. Será?