VÍDEO: MURILO CAMPANHA CONTA ITATINGA

O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Andy Warhol I - Os dois lados da moeda

. . Por Caio Moretto, com 2 comentários

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Por que parece certo dizer que Jota Quest é pop, mas o samba é popular (ao menos comparativamente)? O pop parece esconder um lado comercial, com um que de arte feita para o consumo.

Entre o diretor de arte e o artista, a publicidade e a arte, onde está Andy Warhol? Sua obra é uma crítica à sociedade de consumo ou é uma arte feita para ser consumida? É arte?

Há fumaça, mas reluz.

Engels observou que as nações possuem a classe dominante que merecem, e o mesmo é válido para Warhol, que devolvia à sociedade americana sua imagem refletida em toda sua glória fraturada.

A observação é de Philip Larratt-Smith, curador da exposição Andy Warhol – Mr. América, em entrevista consedida à Gisele Kato, da BRAVO!.

Warhol é a arte que evidencia o culto à marca e à fama.

Há fogo, mas não é ouro.

Warhol é também a busca desespero pela fama e pela criação de sua marca pessoal, o nome Andy Warhol.

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Silk screen Most wanted men (homens mais procurados) ao lado da Print Screen do site da Interpol, que adicionou recentemente Paulo Maluf à lista de homens procurados.

A declaração de Andy à respeito da série Most Wanted Men é muito boa. Não anotei as palavras exatas, que estão expostas ao lado da peça no Mr. America, mas a mensagem era: eles venceram. Não importa se são criminosos. Eles conquistaram a fama e é melhor ser um criminoso bem sucedido do que ser ninguém.

Os dois lados da moeda

A sabedoria popular parece ter os dois lados da moeda, de forma que sempre haverá um ditado para negar o anterior.

Quando pensamos assim o conselho fica tão pessoal quanto popular. Os ditados viram uma linguagem por meio da qual nos expressamos.

A arte é pessoal e subjetiva, mas nunca é alheia ao contexto em que foi feita.

Mas o pop não é o popular.

O popular são os dois lados, a dialética e a constradição.

O pop é a moeda.

Andy Warhol II – O Papa do Pop

. . Por Caio Moretto, com 1 commentário

A possível convergência das mídias, a impossibilidade da independência artística e outros temas correlatos estão cada vez mais em pauta. O lado do artista fazendo publicidade e do status de arte sendo atribuído à peças publicitárias não é novidade. Depois dos cartazes de Toulouse Lautrec, Warhol talvez seja o maior exemplo de publicidade reconhecida como arte. O que vemos hoje parece a evolução dessa mistura. Filmes como Náufrago e Amor Sem Escalas, que apesar da qualidade incontestável, parecem propagandas em longa metragem. E pagamos para ver essa publicidade, afinal ela também é entretenimento e, quiçá, arte.

Como publicitário, preciso dizer: apesar de toda dessa mistura indigesta entre o artistico e o comercial é muito difícil chegar perto de algo parecido com a liberdade artística em publicidade. Porque em última instância é preciso vender, seja uma imagem, seja um produto. E é preciso vender com eficiência e resultados mensuráveis. A arte do publicitário é dar soluções criativas para problemas empresariais. A do artista, teoricamente, não. Ele pode procurar soluções criativas para problemas subjetivos, seja de nossa sociedade ou de suas inquietações pessoais, ou pode simplesmente apresentar novos problemas e perguntas.

Antes que o fio condutor se perca em desabafo, vamos voltar para o Andy. A constatação é simples. Ele era procurado para criar. E a marca Andy Warhol foi tão bem elaborada, que, mesmo quando havia um contrato e um fim comercial por parte do contratante, ele não tinha a obrigação de apresentar soluções para a marca, para o produto ou para o marketing do produto. Ele precisa fazer sua arte e apresentar apenas soluções estéticas, praticamente sem restrições.

Sempre achei muito difícil ver Warhol como arte, mas também tenho achado que não dá para jogá-lo para o outro lado.

A simplificação reduz demais a complexidade desse fenômeno que foi Andy Warhol, mas não deixa de ser interessante reparar nas classificações que o apontam ora como o mais vendido dos artistas, ora o mais livre dos publicitários.

jaggerEssa carta de Mick Jagger para Warholjá circula pela internet há algum tempo e é um ótimo exemplo desta situação.

Querido Andy,
Estou muito feliz pelo fato de você poder fazer a arte do nosso novo álbum de hits. Aqui vão duas caixas de material que pode ser usado, e o álbum.
Na minha curta experiência, quanto mais complicado o formato do álbum, por exemplo, mais complexo do que páginas ou um encarte dobrado, pior é a produção e mais agoniantes os atrasos. Dito isso, deixo em suas mãos capazes a permissão de fazer o que quiser… e por favor, escreva de volta para dizer quanto dinheiro você quer.
Sem dúvida o Sr. Al Steckler vai contatá-lo em Nova York com mais informações. Ele provavelmente vai parecer nervoso e dizer pra você se apressar, mas não dê bola.
Com amor,
Mick Jagger

(via ideiafixa)

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Morte, fama e consumo. Os três temas constantes das obras de Wahrol parecem estar ligados de muitas maneiras em sua obra, em sua vida e na sociedade que vivemos.

Na exposição que passa pelo Brasil vemos, na descrição das cadeiras elétricas uma citação de Andy, na qual ele revela que a repetição acaba com o significado.

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As figuras de Che ou de Bob Marley estampada nas camisetas parece um bom exemplo.

lgpo7028 che-guevara-1962-pop-art-revolutionary-figure-poster Ao contrário do que possa parecer, essa silk-screen de Che Guevara não é de Andy, mas de Gerard Malanga.

I don't know how that affects the arts world. Art has become commerce. Big Business. Andy would love that.

Tradução livre: “Eu não sei como isso afeta o mundo das artes. Arte se tornou comércio. Grandes negócios. Andy teria adorado isso.” (link para a íntegra)

O site http://www.warholstars.org tem um impressionante acervo de artigos e links sobre Warhol. Passeando por lá encontrei essa divertidíssima história de Malanga, que teria vendido essa peça como sendo autêntica de Andy. Desconfiado, o negociante escrevera à Warhol solicitando a confirmação e dizendo que o poeta (Malanga) seria pego no “estilo italiano” e mandado para a cadeia caso estivesse mentindo. Warhol garantiu a autoria para defender o amigo mas acrescentou que todo o dinheiro deveria ser enviado diretamente para ele diretamente já que “Mr. Malanga was not authorized to sell the artwork” (Sr.Malanga não era autorizado à vender as obras de arte).

Após o primeiro incidente, Andy ficaria desconfiado que outras falsificações teriam sido feitas e vendidas por Malanga como pode ser lido em trechos de seus diários e outros depoimentos. Entre as falsificações haveria, inclusive, uma Eletric Chair, como as que acabamos de ver acima. (link)

Afogando na própria sopa

As capas da Esquire por George Lois são sensacionais. Famosas por suas montagens e pela forma irreverente de desconstruir as celebridades, elas se tornaram um marco na história da edição de revistas. Provavelmente voltarei a fazer um post apenas sobre Lois, mas não poderia deixar de apresentar aos que não conhecem essa fantástica capa em que Andy Warhol afoga-se na sua própria sopa Campbell. Selecionei alguens trechos de depoimentos de George Lois sobre esta capa e sobre Warhol que encontrei na rede.

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“This was hot shit. The article was basically a caustic review about what was going on in the arts in America at the time, and without even reading it, I knew I wanted Andy Warhol drowning in his own soup. I just had the image in my head. And I called him, and said, ‘Andy I want you on the cover ofEsquire.’ And he said, ‘Wait a minute, George, you always have an idea on the cover, what’s the idea?’ And I told him, and he said, ‘I love it!’ When Andy saw it, he lost his mind. He kept saying he wanted to trade me for the original art, he’d give me some Brillo boxes, a Campbell Soup painting. He was after me a month before he died, he was still trying to trade me. I told him I don’t want to trade, ‘cause someday that’s going to hang in the MoMA.' And he said, ‘Oh, I’d love to see it there! Me hanging in the Museum of Modern Art!’ Which is so funny, because now there’s twenty goddamn Warhols in the Museum of Modern Art.”

"Isso era quente. O artigo era basicamente uma revisão candente sobre o que estava acontecendo nas artes nos Estados Unidos na época, e sem sequer ter lido, eu sabia que queria Andy Warhol afogando em sua própria sopa. Eu tinha apenas a imagem na minha cabeça. E eu o chamei e disse: Andy, eu quero você na capa da Esquire. E ele disse: Espere um minuto, George, você tem sempre uma idéia para a tampa, qual é a idéia? E eu disse a ele, e Ele disse, Eu adorei. Quando Andy viu, ele perdeu a cabeça. Ele continuou dizendo que queria negociar comigo pela arte original, ele ia me dar algumWarholas de suas caixas da Brillo, a pintura da Campbell Soup. Ele estava atrás de mim, um mês antes de morrer, ele ainda estava tentando negociar comigo. Eu lhe disse que não queria negociar, porque um dia isto estará pendurado nas paredes do MoMMoMAA. E ele disse: Oh,  eu adoraria vê-lo lá! Eu pendurado no Museu de Arte Moderna! Que é tão engraçado, porque agora há vinte Warhols maldita no Museu de Arte Moderna.”

Traduzi também livremente dois trechos desta outra declaração de George Lois (ao lado) sobre Andy.

O símbolo que permeava todo o movimento Pop Art daquela época era a lata de sopa Campbell, de Warhol. Eu nunca consegui enxergar a Pop Art como um movimento sério.

Não há dúvidas, no entanto, que Warhol era um showman da primeira divisão. Qualquer cara que consegue transformar uma lata de sopa em celebridade pode não encaixar na minha definição de artista, mas é certamente algo quente. 

 

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As histórias acerca de Andy Warhol parecem inesgotáveis. Caso tenha despertado em você uma curiosidade de saber mais sobre a vida e a obra de Andy Warhol visite a exposição Andy Warhol - Mr. América, na Estação Pinacoteca e não deixe de procurar as as histórias do Factory (eu começaria por aqui), de Nico e a banda The Velvet Underground e de Valerie Solanas, que tentou matar Andy Warhol.

 

Afinal o que é Rock’n Roll, os óculos do John o olhar do Paul?

Finalizamos com essa ótima foto, que talvez até fosse realmente rara (como dizem outros blos) antes antes de cair na rede. Nela vemos Yoko Ono e os dois papas do pop Andy Warhol e John Lennon, ambos vítimas de tiros à queima roupa.

O pop não poupa ninguém.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Com que roupa eu vou...

. . Por Fábio Accardo, com 6 comentários

Pego carona em post de um de nossos indigestos, volto a falar de Noel Rosa mas sobre outra perspectiva. Acontecimento anterior ao Carnaval 2010 e que marcou o início dos eventos de homenagem da nossa querida Academia Brasileira de Letras: Noel, o Acadêmico do Samba.

Cartola já anunciava sobre os "tempos idos" nunca esquecidos de uma história que começa lá na Praça Onze e que atingiu até marte (Coisinha do Pai, letra de Jorge Aragão na voz de Beth Carvalho, que despertou os jipes do Laboratório de Propulsão a Jato - JPL, na quadragésima nono dia da missão em Marte. No dia seguinte os robôs foram despertados com Samba de Marte, também Beth Carvalho). Esse ano o enredo da Unidos de Vila Isabel homenageou o poeta que nasceu la na vila e nem sequer vacilou com o feitiço que tal vila poderia rogar em todo o mundo. "Noel a Presença do 'Poeta da Vila'" foi o título para o enredo da escola de samba da vila, com samba de Martinho da Vila para o desfile de 2010 (que obteve o quarto lugar).
Voltando ao tempos idos, falemos dos tempos vindos e da importância que trás Cartola do samba ter entrado no Municipal, porque se hoje ele é branco na poesia, ele é negro demais no coração. O que presenciamos é a entrada do Poeta da Vila na Academia Brasileira de Letras, ABL, com o título de "Acadêmico do Samba". Do poeta humilde, de vida efêmera (pelo anos de vida. Morreu com 26 anos), com mais de 300 composições, Noel de Medeiros Rosa, ou popularmente Noel Rosa, foi coroado com uma homenagem ao seu centenário na ABL.
Interessantes como se dão muitas vezes as coisas na campo artístico. As relações de força na estrutura desse campo de legitimação e valorização da arte, necessitam muitas vezes de instituições que legitimariam o que é arte, como valorizar tal arte e se tal manifestação artística tem valor cultural. Nessa dinâmica se percebe a força legitimadora da ABL em tornar um dos maiores compositores e sambistas do Brasil em um Acadêmico do Samba. Somente depois de apenas cem anos de seu nascimento Noel pôde ser reconhecido com um "verdadeiro" poeta. O reconhecimento (não mais que uma mera homenagem) pela academia, faz tratar, agora, o samba como arte, literatura, coisa de valor. O que antes era malandragem, que virou mercadoria, e até identidade do brasil, hoje pode ser reconhecido como literatura.
Sim, para o samba e sambista, não creio que há ressalva alguma, talvez, glória e satisfação. No entanto, não é pelo samba ou para o samba que existe uma estrutura que continua a legitimar e poder falar o que é ou não arte, ou literatura. Há um campo em jogo, em conflito, em que, aqueles que querem devem seguir e jogar suas regras. Quem sabe revolucioná-las, e assim serem a vanguarda de tal campo.
Martinho e a agremiação da Unidos de Vila Isabel, foram convidados a dar a largada nas comemorações do centenário do acadêmico do samba. Participaram de um almoço e fizeram o carnaval em frente a ABL. Organizador do evento, o presidente da ABL, Marcos Vilaça, conhecido por tentar aproximar a academia com o grande público (já realizou outras homenagens como a Villa-Lobos, Roberto Martins e Ataulfo Alves), disse que essa homenagem "é sinal de uma grande abertura" na ABL. Será?

Agora Martinho teve que se perguntar com que roupa iria em evento tão sublime?!

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