VÍDEO: MURILO CAMPANHA CONTA ITATINGA

O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um Marcador, Um Jornal, Uma Poesia

. . Por Fernando Mekaru, com 8 comentários

Austin Kleon é mais um dos milhares de escritores que a internet nos coloca em contato ocasionalmente: utilizando-se da rede para disseminar seus trabalhos, procura atingir o maior público possível para que suas mensagens não sejam só mais um artístico (e inócuo) grito para um público inexistente.

O diferencial maior de Kleon, aquilo que o torna distinto de todos os outros, não é a qualidade de sua literatura, os temas que aborda ou as polêmicas que levanta: o autor americano é interessante por subverter o processo tradicional de criação de texto, ao executá-lo somente com recortes de jornal, uma caneta marca-texto preta e a paciência para caçar palavras de tal maneira que, juntas, as palavras escolhidas façam aparecer um sentido que, anteriormente, não estava lá. O contraste entre preto e branco que se gera durante este trabalho causa um pouco de arte plástica incidental, que o autor se aproveita de maneira criativa em alguns de seus trabalhos.



O problema de Cinderela foi sentar e esperar pela fada madrinha


A princípio, esse processo quase infantil de geração de textos soa como picaretagem e mediocridade extremamente concentrados: aqui, é difícil falar em autoralidade da obra de arte para além da escolha e ordenamento das palavras, e o esforço envolvido para a criação de um texto literário é ínfimo se comparado a processos mais tradicionais de escrita. Numa primeira avaliação, é mais uma experiência artística com tudo para ser considerada pura forma, desprovida de conteúdo.

A verificação dos trabalhos, porém, acaba por quebrar essas expectativas iniciais.

Os trabalhos de Kleon são pequenas peças de literatura, que normalmente não passam de duas sentenças, mas que possuem carga emocional e significado o suficiente para que a apreciação de recortes de jornal pintados arbitrariamente de preto não seja considerada uma atividade reservada a loucos ou desocupados. O trabalho do artista, nesse caso, se dá na extração de sentidos e narrativas de um enorme banco de palavras aleatórias de tal maneira que seus significados se tornem maiores do que a mera soma das palavras escolhidas - é, em resumo, um processo de síntese que não se difere muito da produção tradicional de textos.

Em poucas palavras, seu trabalho possui as características necessárias para serem encaixados, de uma maneira ou de outra, no universo de difícil definição que se tornou a arte atualmente.



Enquanto houver uma estrada aberta, o familiar terá competidores formidáveis.


Verifique muitos outros trabalhos do autor no blog do mesmo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Copa Chata, Música (i)Legal

. . Por Thiago Aoki, com 1 commentário

A Copa do Mundo freiou por alguns dias as postagens nesse Blog. Tento hoje sair de meu ostracismo literário, aproveitando o jogo entre EUA e Eslovênia, provavelmente tão ou mais péssimo como os demais, em uma copa em que a coisa mais legal tem sido a "supercâmeralenta". O legal é ficar bolando teorias conspiratórias sobre os destinos da Copa, como por exemplo o fato de a África do Sul ter sido praticamente eliminada por um time só de brancos (Uruguai) em um dia símbolo da luta contra o apartheid, 34 anos do massacre estudantil de Soweto. Ou então o gol do Maicon contra a Coreia do norte que foi uma "BOMBA"! (tá, essa foi de mal gosto..) Melhor ainda são as gafes que as TVs adoram cometer nessa época. A mais recente foi aquele canal americano que colocou o mapa da América do Sul enquanto falava da Copa da África, há quem diga que a foto, reproduzida à esquerda seja uma montagem. Com o time razoável dos ianques, talvez eles já estejam melhor no futebol do que na geografia, ou simplesmente estejam demonstrando curiosa dificuldade em enxergar as periferias mundiais.

Voltando às gafes, a moda é o "Cala Boca Galvão". Para quem não sabe foi uma falsa campanha publicitária, difundida pelo mundo, típica de quem não tem o que fazer. Nela, espalhou-se para a gringaiada, via redes sociais, que cada pessoa que escrevesse "Cala Boca Galvão" no twitter doaria U$0,10 para a fundação brasileira que estaria preservando um raro papagaio em extinção da espécie Galvão. A solidariedade foi tanta que a frase foi a mais dita na internet por dias e obrigou o NYTimes a emitir nota desmentindo a falsa instituição de caridade. Pra quem não acredita, veja o genial vídeo "Save Galvao Birds Campaingn". Mesmo assim, ainda acho que a Copa sem Galvão é como BBB sem Bial ou Flamengo sem Obina: fica melhor, mas perde a graça. Aliás, a campanha lembrou o Peru Pequeno, vídeo hit da copa de 2006, quando algum malvado fez com que torcedores japoneses gritassem "Peru Pequeno" efusivamente, sob a justificativa que isso significaria "Zico is the best". Na época, Zico era treinador da seleção oriental.

A internet tem dessas. Aliás, outra boa surpresa que tive na rede, ao buscar músicas para uma viagem, foi a descoberta de Blogs cujos autores disponibilizam discos inteiros para download. Não entrarei aqui na discussão sobre direitos autorais, e o politicamente correto que esquece que é inviável que um CD tenha o valor de 10% do salário mínimo. Mesmo assim, faço questão de divulgar esses Blogs - já inclusos em nossa Sessão Recomendamos - que disponibilizam as músicas sem motivação mercadológica, mas pela paixão pelas canções. Aliás, muito mais legal do que os arquivos para download são as resenhas e crônicas muito bem feitas sobre os artistas e a música. Vamos ao jabá:

Playlist Pessoal - Como o próprio nome já diz, o autor disponibiliza para Download centenas de CDs e músicas que integram seu repertório auditivo pessoal. Mais legal ainda são as coletâneas com misturas temáticas - e perfeitamente idigestíveis - organizadas voluntariosamente pelo autor do Blog. Música e Playlist de ótima qualidade.

Sintonia - Mais um site com diversos CDs disponíveis para download, mas, se visitá-lo, não pare por aí. Informações variadas sobre cantores e conjuntos, bem como histórias dos bastidores da música e áudios pra lá de raros. Destaque especial sobre os artigos e musicais disponíveis sobre a música baiana. Vale a pena entrar em sintonia com esse blog.

Abracadabra - Um trabalho fantástico, penoso e minucioso. Há, neste blog, LPs dos mais diversos, em geral das décadas de 1960/70, do gênero MPB. Todos incrivelmente disponíveis para download gratuito, com excelente qualidade de gravação e remasterização.


Por fim, acho que outro portal que merece nosso respeito é o da gravadora Trama, que tem interesse comercial como todas as outras, mas isso não os impediu de sacar que a música deve, até para se vender um conceito e não apenas o disco, ser mais respeitada. Na onda da impossibilidade de limites da rede, a gravadora deixa discos inteiros prontos para serem copiados, atitude justificada por um Manifesto muito bem escrito. Mais que ideologia, me parece uma resposta coerente, um "se não pode contra eles, jogue com eles".


Falando em jogar, preciso exercitar meu antihegemonismonorteamericano, torcendo pra Eslovênia.


A todos uma boa copa e uma boa música...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sobre o Mistura Indigesta

. . Por Mistura Indigesta, com 0 comentários

Criado em 16 de Novembro de 2009, o Mistura Indigesta é um blog independente, resultado da necessidade de encontro entre amigos distantes. Mais ainda, é fruto do insaciável e terrível ímpeto adquirido por cinco cientistas sociais que, com mania de chatice, se perguntam: que mundo é esse?

Um Portal que mistura colaboradores indigestos, com temas igualmente indigestos. Que tem como foco principal falar sobre Arte e Cultura, mas como meta não separá-la das demais esferas de nossa sociedade, muito menos do bom humor!

A brincadeira cresceu e, segundo estatísticas (Google Analytics) do dia 16 de Novembro de 2010, quando o MI completou seu primeiro ano, tínhamos 92 postagens, 40 parceiros de botequim, 169 seguidores no Twitter, 224 amigos no Facebook, em um total de 10.090 de page views e uma média de 570 acessos únicos por mês.

(Atualização: hoje, dia 15 de dezembro de 2011, são 200 postagens, 424 seguidores no twitter e 1149 amigos no Facebook, 29.648 page views e uma média de 2.000 visitantes por mês. Valeu galera!)

Tantas surpresas são, na verdade, motivos pelos quais insistimos em dormir tarde para corrigir uma postagem, em dar uma escapadinha para atualizar nossas redes sociais, em pensar em novos textos, em buscar novidades e parceirias, e em abrir espaço para quem se identifica e traz coisas novas.

Aos novos e antigos leitores, traremos resenhas, debates, crônicas, contos, cobertura de atividades culturais, entrevistas, novos artistas e ensaístas, teorias conspiratórias, entre outros.

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Indigestos

Caio Moretto, ex-standupcomedian, cientista social e repórter, é um cidadão de Vinhedo, formado em Ciências Sociais. Atualmente dá aulas de sociologia, filosofia, redação e história da arte para o ensino médio. Além da ótima escrita, é um exímio jogador de truco e responsável pela parte gráfica do Blog, fruto de anos de trabalho como publicitário. É o único, em 60 anos de Unicamp, que entrou e saiu da faculdade namorando a mesma moça ininterruptamente. (contato: caio@misturaindigesta.com.br)

Fábio Accardo, sociólogo e antropólogo, é especialista em reuniões acadêmicas e nenhum dos indigestos se sente constrangido em confessar: é o galã do blog. Beleza contagiante, para ele, não é apenas slogan publicitário. Além de atrair uma legião de fãs ao MI, é mestrando pela Faculdade de Educação da Unicamp e faz parte de grupos contemporâneos consagrados como os educadores da “Ciranda” e os sambistas do “Pagode do Souza”. (contato: fabio@misturaindigesta.com.br)

Fernando Mekaru, sociólogo, descreve-se como “portador de uma visão levemente azeda da vida”, mas todos sabemos que por trás de sua carapuça amarga bate um coração oriental, com recheio nerd. Sua memória, além das 19 línguas que aprendeu autodidaditcamente, possui o maior conhecimento de curiosidades inúteis da Região Metropolitana de Campinas. Atualmente, trabalha na Programação Cultural do SESC Campinas. (contato: fernando@misturaindigesta.com.br)

Hugo Ciavatta, antropólogo e sociólogo, é um detalhista. Peça-lhe um conto e escute um romance interminável. Dono de uma ausência de sorte sem precedentes, é mestre em Antropologia Social pela Unicamp, acaso fruto de uma inconseqüente banca, que agora terá que arcar com artigos imensos. (contato: hugo@misturaindigesta.com.br)

Thiago Aoki, além de sociólogo, é campeão continental em piadas sem graça, título não alcançado pelo seu time, o Corinthians, a quem, segundo ele, deve todos os valores humanos e ideais que possui . Este indigesto é, nas palavras de sua ilustre e palmeirense namorada, um oriental falsificado: fanático por futebol, toca pandeiro e não come peixe ou salada. Trabalha na Programação Cultural do SESC Campinas e sonha em algum dia receber o título de cidadão linense. (contato: thiago@misturaindigesta.com.br)



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A todos que, insanamente, nos acompanharam nesse trajeto, nosso muito obrigado!




Equipe Mistura Indigesta
misturaindigesta@gmail.com



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