VÍDEO: MURILO CAMPANHA CONTA ITATINGA

O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aaron Swartz e a máfia dos termômetros

. . Por Caio Moretto, com 1 commentário

Pouco se noticiou, na mídia tradicional brasileira, a morte do ativista Aaron Swartz, que teria supostamente se suicidado na semana que passou. Será desatenção? Para comprovar a ausência de publicações, utilizo uma ferramenta do próprio Aaron e busco seu nome em uma lista de pouco mais de 100 sites que acompanho diariamente, graças à tecnologia RSS, que ele ajudou a desenvolver quando tinha apenas 14 anos de idade. Em alguns minutos leio algumas poucas matérias interessantes de veículos alternativos e as repetitivas ocorrências do jornalismo de grande circulação que o programa me retorna, não por limitação da ferramenta, mas por falta de informações a serem coletadas.

Swartz desenvolveu diversas ferramentas que visam democratizar a web como o Watchdog, o Open Library e o Demand Progress (bem explicados no post do Rafael Zanatta, aqui). Porém, a maior polêmica que envolveu o sociólogo e ativista, aquela com a qual os leitores deste site devem estar mais familiarizados, talvez seja a perseguição da gigante empresa de artigos científicos JSTOR.

Resumidamente, Swartz teria baixado de um computador público do MIT, 4 milhões de artigos científicos, que, como indicam suas manifestações recentes (Aaron Swartz e o manifesto da Guerrilha Open Acces), seriam distribuídos gratuitamente na rede. Não foram. Após o início do processo Swartz recuou e devolveu todos os arquivos. A perseguição, porém, não parou e a promotoria indicou a condenação de Aaron a 35 anos de prisão e o pagamento de uma multa de 1 bilhão de dólares.

Outro programa menos conhecido do mesmo criador talvez interesse nosso leitor: o atlas de imagens. A ferramenta é simples. O usuário digita uma palavra e o programa retorna imagens encontradas em diversos sites de busca de diversos países. O objetivo (que Aaron explica neste vídeo) é demonstrar de forma visual como os filtros de busca não são neutros. Apesar de ser um pouco mais artístico que os outros projetos, o programa não deixa de ser mais um termômetro para evidenciar a falsa democracia da rede.

E qual será a utilidade dessas ferramentas de medição e de acesso à informação? “Termômetro não cura”, li esses dias em um título de matéria, que me chamou a atenção. A reportagem criticava o excesso de medidas e recursos governamentais utilizados para medir e diagnosticar o problema da educação e a carência de medidas efetivas para solucionar a questão. O título curioso não é, porém, uma verdade universal. Apontar uma contradição, por exemplo, é um passo imensurável no caminho de superá-la.

Imaginemos um número aleatório, por exemplo, 4 milhões de cientistas que acreditem nesse princípio e busquem, através de seus trabalhos, apontar diferentes problemas e investigar suas possíveis soluções. Para ter acesso aos termômetros criados por esses estudiosos o usuário deve pagar a uma empresa que monopoliza essas informações, digamos, a JSTOR. A ruína da nossa biblioteca de Alexandria não é o fogo, são os intermediários. Aaron apontou, dentre outros, esse problema.

Não extrapolarei a metáfora. Não sei se o termômetro faz parte do processo de cura ou não. A questão que Swartz nos coloca, no entanto, é que nem acesso aos termômetros nós temos. E se a simples denuncia da falta de acesso à informação pode ter um fim tão trágico como o de Aaron, talvez seja necessário darmos mais atenção a ela. Parece claro que há, aqui, algo que se pretende ocultar e que nenhum jornal comenta.  Será desatenção? Será por simples desatenção que tentam nos roubar a tinta vermelha, que tentam impedir o uso de qualquer medidor da enfermidade de nossos processos democráticos? Usando a medida de Geoge Orwell, lemos no caso ainda uma derradeira denuncia: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”. Uma lucrativa publicidade da máfia dos termômetros.


domingo, 29 de janeiro de 2012

Opinião Pública e Democracia Privada

. . Por Thiago Aoki, com 7 comentários

Fico pensando como seremos conhecidos daqui a 100 anos. Com a proliferação de dispositivos - tablets, redes sociais, gadgets, aplicativos - que se disseminam feito praga, a era da informação está em xeque. Digo isso pois havia um mito quase iluminista, profetizado nas escolas e na mídia, de que estaríamos em uma época onde quem tivesse acesso à informação estaria fadado a uma vida de sucesso. Hoje, com essa complexa rede de informações que se forma, e que inclusive tem ajudado a formar uma relação mais crítica com a própria mídia “oficial”, é possível perceber que divergências sobre fatos são mais do que aceitáveis e que as informações são construídas socialmente. Talvez o que vivemos seja a era da opinião.

Infelizmente, ao contrário do que um ingênuo web-entusiasta pode argumentar, isso não significa que caminhamos para um mundo de tolerância às culturas e saberes. Ou que estejamos a criar fontes saudáveis de debates e redenções intelectuais. Ou muito menos que caminhamos para uma mídia alternativa, desligada do poderio econômico. O que se vê são indivíduos ávidos por formarem opiniões sobre algum tema polêmico (ou falsamente polêmico) e fazer delas um espetáculo particular – ou, como prefere o facebook, compartilhá-las. Contemplar e ser contemplado.

Por um lado, mesmo que haja um questionamento sobre a relevância temática dos “trending topics”, é positivo que todos estejam em busca de formar sua opinião sobre os “temas do momento”, inclusive sendo obrigado a ler opiniões contrárias em seu “timeline” ou “feed de notícias”. Mas por outro temos aqui um poderoso mecanismo de manutenção da democracia meramente representativa.

Ao cravarmos nossa opinião sobre a polícia na USP, sobre a moça que matou o cachorro, sobre o estupro no big brother, sobre o massacre de Pinheirinho, sobre as fraudes do ENEM, sobre a construção de belo monte, criamos uma falsa ideia de que neste momento fazemos um papel de cidadão ou até de ativismo, quando na verdade, apenas expomos opiniões para nossos amigos, torcendo por compartilhamentos, comentários e cliques no botão curtir. É a reprodução de uma passividade vista nas sociedades que se dizem democráticas, mas onde o limite de nossa ação política é a possibilidade de nos posicionarmos sobre um tema sem sermos presos. É a possibilidade de fazermos parte de uma parte, vitoriosa ou não, da opinião pública – como se essa fosse capaz de, por si só, transformar algo.

E lá estamos, a apoiar “causes” e mais “causes”. É justamente quando me pergunto o que de fato fizeram por Pinheirinho os 3.528 que curtiram o “Somos todos Pinheirinho”. Ou em qual movimento de defesa dos animais militam todos os que colocaram a hashtag #CamilaDeMouraPresa.

Assim, consolida-se uma visão cada vez mais hegemônica segundo a qual participar de um movimento ou partido político é um descrédito. E ganha cada vez mais corpo aquele intelectual cujo único propósito coletivo é participar de um grupo de estudos, e escrever artigos influentes. Ou aquele que sabe tudo sobre tudo, mas virtualmente, sem relações orgânicas ou lutas por um ideal.

E aí, nós que criticamos as crianças de hoje por trocar a rua pelos video-games reproduzimos a mesma relação, em uma rede contemplativa onde sobram opiniões e faltam experiências.

Claro, algo já brotou daí pro mundo: um churrascão, um Sakamoto, um Malvados, um Wikileaks, um Anonymous e, há quem diga, até uma primavera árabe. E claro, também, que este Blog e sua disseminação inserem-se nessa rede. Mas cabe perguntar o que, em nossa vida a cada dia mais virtual, reflete-se em nossas práticas e em nossas lutas do dia a dia. O que, afinal, não se dissolve na roda viva onde a contemplação e o espetáculo são vias de mão dupla de uma mesma rua, a inércia.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Conto retirado de uma notícia de portal

. . Por Thiago Aoki, com 0 comentários

Extra, Extra!

Mensagem oficial destinada ao governo estadunidense é revelada em site subversivo. O telegrama foi enviado ao presidente dos Estados Unidos por um importante e condecorado membro do alto escalão da inteligência ianque. Segundo informações do site, o mesmo fora mandado para terras tupiniquins há três meses, com a missão de entender o modo de vida do maior país da América Latina. No trecho traduzido abaixo, o “espião” relata detalhes da política interna brasileira ao chefe de Estado norte-americano:

Caro presidente,

É preciso ficar atento ao povo brasileiro.


Temos que desmistificar a ideia de que o brasileiro tem memória curta.


É mentira.


Tampouco é hospitaleiro ou gentil.


Tudo mentira.

É um povo rancoroso, que pode nos trazer futuros problemas.

Para se ter uma idéia, senhor presidente,


No Brasil, são necessários anos, décadas


Para quase se esquecer uma paixão,


E apenas o intervalo de um samba cadenciado


Para relembrá-la inteiramente.


É preciso ficar atento, senhor presidente.”



O presidente dos EUA negou a autenticidade da carta. Já a presidenta brasileira ressaltou que o episódio não abalou o relacionamento entre os países.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ao Meu Melhor Amigo

. . Por Unknown, com 5 comentários

Meu caro,

Quanto tempo já levamos em companhia um do outro, não? Outro dia me perguntava quando foi exatamente que nos conhecemos, quando fomos apresentados, ou melhor, que me apresentaram a você, né?! ... Talvez tenha sido na faculdade, ou será que foi antes? ... Ah, deve ter sido naqueles tempos ...

Sei lá se é porque fazia tempo que eu não via a primavera, que chegou nesta semana, e como é bonito esse período, mas andei alegrinho demais ultimamente, cheio de pieguices, agradecendo a sorte de ter os amigos que tenho. E, pior, dizendo isso pra eles. E agora, aqui, de novo. Fiquei num balanço dos meus queridos e queridas. E olha que “balanço” é uma coisa que geralmente se faz em final, ou em começo de ano, né? Pois é, resolvi que precisava fazer isso agora, que precisava, mais ou menos, terminar um ano, ou começar outro no meio do caminho, sabe? Parece frescura, e talvez seja mesmo, não nego, meu querido, só acho que é mais um envelhecimento. Me senti mais velho dia desses. E nem é um velho rabugento, ou tão ranzinza assim ... um pouquinho, sim, claro (risos), mas digo isso num sentido de amadurecimento. Lembra que sou um ladrãozinho, né, querido? Então, roubei a fala de uma amiga que me questionou enquanto eu ranhetava contra o termo amadurecer, quando se diz que fulano é uma pessoa “madura”. Me parecia, antes, que se repetíssemos “madura” muitas, rápidas e repetidas vezes, “madura-madura-madura-madura-madura”, no fim, o som produzido seria semelhante a “armadura”. Por isso rejeitava o termo. Minha amiga me desconsertou, como se fosse a “golpes de pincel” – não disse que ando piegas, olha um ataque? –, porque pra ela “amadurecer” é como uma fruta, que quando madura está vermelhinha, docinha, macia. E, ó, nem vem, não estou dizendo que estou que nem “uma frutinha docinha”, hein, rapaz! Olha o respeito, pó parar! O lance é que parece que eu poderia vir aqui pra você e desabafar um monte, angústias que todos temos, imagino. Porém, tenho me sentido pequenino, rindo, e ao mesmo tempo sereno, não querendo me desesperar. Esquizofrenia? Hum, atravesso a rua quando cruzo um consultório (risos).

Às vezes, sinto que algumas coisas perdem a precisão temporal, os dias marcantes. É como se não houvesse mais um momento a partir do qual se estabelecesse um antes e um depois bem específicos. Vivendo inercialmente nos esquecemos dessas coisas. Se bem que, não vejo isso como de todo negativo. "Inércia" não é uma boa palavra pra isso, porque enquanto vivemos, simplesmente vivemos, podemos fazer de todos esses pequenos momentos, desse grande intervalo que é a vida, a beleza da coisa. E não das extremidades, de um início ao presente. Evitamos, desse modo, um exercício de lembranças apenas, seguidos de um prolongado tempo de ausência ... Vamos costurando o bagulho todo nas entrelinhas ... Às vezes, sinto que prefiro pensar assim ... (Confusa essa última frase, não?) ... Mesmo porque, também, de alguns amigos a gente acaba se afastando, não por descaso ou qualquer mal entendido, são acasos somente ... E quando a gente reencontra estes, ah, nossa, nem parece que nos afastamos, é tão estranho de bonito, parece que estivemos próximos de alguma forma, ainda que de fato estivéssemos sem nos falar há muito, não? ... Coisas engraçadas ...

Bem, entre a gente, meu caro, as coisas não foram bem assim, pelo menos não têm sido, né? A gente sempre está se falando, sempre em contato, trocando idéias, se ajudando, se divertinho, próximos mesmo, companheiros de fato. Sempre que eu te procuro, você está aqui do lado, ao alcance, te jogo algumas palavras e você me dá outras tantas, textos, a prosa é sempre um grande prazer. Quantas vezes não sabia nem o queria dizer direito, titubeando, e você estava ali me ajudando a tentar dizer melhor, desvendando o que eu queria dizer. O quanto me ensinou, porque amizade é mesmo um grande aprendizado, nem consigo imaginar. Você me dá acesso a outro mundo, praticamente, através de você descobri coisas incríveis, saio da minha realidade ... E só vejo você crescendo nesse tempo todo. Que massa. Nem consigo falar muito sobre essas coisas, você também é todo especial, cheio de mistérios, ao mesmo tempo que muito claro, sei lá, não sei (te) explicar. É assim, cara. Simplesmente.

Mas era isso, só queria te agradecer.
Muito obrigado,
Google!

Um abraço,
1° Quase irônico, 2° e 3° Eu mesmo, 4° Já sem propósito
(Ordem dos Parágrafos)
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Quando assisti ao Mary And Max, fiquei muitíssimo assustado, acho que deveria ser classificado como uma "animação-terror". E quero, com isso, elogiar um belíssimo filme, que além de muito bem feito, traz uma história impressionante!

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