VÍDEO: MURILO CAMPANHA CONTA ITATINGA

O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Não Estou!

. . Por Unknown, com 1 commentário

Saia do metrô quando um sujeito, no mínimo diferente, no infinito corredor antes da escada, arranhava na guitarra uma música bem conhecida, que eu, péssimo pra acertar, não me arrisco a dizer qual era. Me prende muito a atenção quando ouço uma música “no meio do caminho”. É como se houvesse uma trilha sonora pelas ruas pra mim. A canção invade o dia, preenche o lugar, atribui sentido a qualquer possível banalidade. E, naquele dia, quando na rua já, caminhava com uma leveza que há muito não tinha, distante, distante de tudo, ainda que bastante presente, atento, mas tranqüilo, sem pressa, fazendo esquecer ansiedades, dúvidas, incertezas, não estava vazio, muito pelo contrário, apenas sereno. Talvez por causa da música. Ainda na rua: "Nossa, que cartaz... não é daquele filme?...” Bom, seguimos daqui pra lá, de lá pra cá, e passou-se o dia.
No dia seguinte, a mesma dúvida: “curioso mesmo, bem que parece aquele filme, como é mesmo o nome daquela atriz?... Ela fez um baita filme, foi um show particular dela, brilhante... ?...” E lá se foi mais um dia, e a dúvida nem era mais dúvida, era só uma brincadeira visual, procurava a imagem pela rua só pra distrair os pensamentos, que não precisavam e nem queriam concentração. Mas era muito simples resolver a tal dúvida, ora, somente ler o cartaz e pronto. Só que era divertido daquele jeito, em cada canto pelas ruas lá estava uma imagem diferente do filme. Enfim, chegou um momento que não pude mais brincar, já que, por acaso, me deparei com as letras do cartaz antes da imagem, fiquei chocado: “Não Estou Lá” (I’m Not There).
Como assim, eu vi este filme dois anos atrás, não? E foi em casa ainda, fui na locadora e peguei ele em DVD. Como pode estrear nos cinemas de novo? Impossível, não pode ser uma regravação em tão pouco tempo, que absurdo! Em que ano estou? 2010? Não é 2010?! 2010, é 2010!! Me perdi no tempo.
- Este filme já não estreou, você já viu?
- Já, já vi sim. É, eu não tinha entendido também, faz tempo, estranho mesmo...
Ufa, estamos em 2010 mesmo, e eu vi este filme há dois anos. Ponto.
Curioso é que o sujeito já é, digamos, peculiar, o título do filme já é emblemático, e ainda acontece isso. Piada, né? “Não estou lá!” Onde e quando, há dois anos? Só agora é que está?! Ai ai.
Já tentei falar do Fernando Pessoa, em outro momento, mas não precisava ter ido “tão” longe temporalmente: será Bob Dylan o Fernando Pessoa da atualidade?
Um amigo, que teve o privilégio de vê-lo (o Bob Dylan, claro, por favor!) numa apresentação, dizia com certo desdém: “Ah, um véinho ranzinza lá no palco com uma viola, uma voizinha chata que só, nhénhénhé, é isso... e um pouco caro ainda”.
Bom, caro deve ser mesmo... Eu nunca vi, ao vivo, o Bob Dylan, e muito, muito provavelmente não vou ver, a não ser que ele apareça na porta de casa amanhã, cantando:




É... pouco provável também que ele, do nada, venha trocar uma idéia comigo, de boa, como numa conversa de bar, convenhamos. Mas, é o Bob Dylan, né, quem sabe?! Aparecendo por outra pessoa, como na saída do metro aquele dia, já está valendo. E se é difícil falar de uma canção assim, tem gente que escreve até um livro somente pra ela: "Like a Rolling Stone - Bob Dylan na Encruzilhada", de Greil Marcus, resenhado semana passada pelo jornal Folha de São Paulo.
Não sei exatamente quantos foram os atores que participaram da gravação, acho que seis dentre os famosos, mas são muitos, claramente. Cate Blanchett é a principal entre todos eles, e ela está irreconhecível. No filme, cada um dos atores, desde uma criança atrevida, até Richard Gere, com os cabelos sempre grisalhos, interpreta a mesma personagem: Bob Dylan. Conclusão: esse cara é louco. Também acho. Se o Fernando Pessoa brincava de heterônimos, serão as facetas, os “alteregos” de Bob Dylan, heterônimos também? Ele aparece, no início de sua carreira, com músicas de protesto, dizem, depois se cansa, dizem, e queria falar sobre outras coisas. Muitos se queixaram. Outros seguiram o adorando. Mas ele não ficava quieto, logo já estava “de outro jeito”, escrevendo e cantando sobre outras coisas, de novas maneiras. São muitas dúvidas sobre ele, que definitivamente, merece o bordão, é “uma lenda viva”. De folk, rock e música gospel, “lá está” Bob Dylan, mas qual? Acho que o próprio título do filme diz qual seria a resposta para algumas das pergunta sobre ele, sobre a arte que ele produz também: “Não estou lá!”

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