VÍDEO: MURILO CAMPANHA CONTA ITATINGA

O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

São João

. . Por Fábio Accardo, com 0 comentários

Não sabia onde se agarrar. Sentia que não havia onde apoiar os pés e que cada vez o puxavam mais forte. Começara a enegrecer o olhar. As últimas forças pareciam estar nas pontas dos dedos, os quais estavam ali fixos na borda daquele órgão tão primordial. Imagens vieram a sua mente. Lembrou-se então de certa noite. Junho, noite de São João, festa. Recordou-se dos passos leves e despretensiosos de certa saia. Parou o caminhar. Imaginou aquelas batidas rápidas dentro do peito e a confusão de palavras que vinham a sua mente, mas que não conseguira pronunciar naquele momento. Dissera qualquer coisa. Os passos continuaram. Cerrou-se em seu mundo, desiludido, mas esperando que uma vez mais pudera sentir nas maçãs do rosto aquele ardor que ruborizava, mas que se acalmava com a delicadeza dos passos que faziam o ar do entorno se agitar, produzindo uma brisa leve e cativante. Foi de repente. A brisa chegou antes. Assim que se virara tornou a ruborizar a face, os olhos fixos, peito trepidante... sentira, então, um leve umedecer nos lábios, um toque repentino nas suas mãos e algum som sussurrado ao ouvido. Como que entorpecido sentiu seus pés caminharem. Fora levado de encontro a saia. Fora tomado pelos braços, conduzido pela noite e roubado de sua cena. Não resistira. Não havia motivos nem forças para isso. Deixou-se levar pelo encanto. Recordava-se agora de longas palavras trocadas, gestos jogados ao ar, sorrisos iluminando um lugar escuro, calores que esquentavam os corpos naquela noite fria. A mente lhe iluminava a memória com o sentimento doce que não conseguira descrever, nem naquele momento e nem em outros. Somente sentira. E por mais que quisesse, e sentia vontade, de explicá-lo, não podia. Assim como não podia mais suportar a dor que sentia nas pontas do dedos. Estava prestes a se entregar. A escuridão já cegava seus olhos e não conseguia mais mirar coisa alguma a sua frente. Era demasiado forte para seu peito vazio de sentimentos. Decidiu então, num surto de racionalidade, entregar-se. Desistia daquela batalha. Não era mais uma disputa na qual queria continuar guerreando. Esvaiu-se. Seus pés já não tocavam mais o chão - estava apaixonado.

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