VÍDEO: MURILO CAMPANHA CONTA ITATINGA

O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Poesia Conceitual

. . Por Caio Moretto, com 0 comentários

Poesia conceitual I

Manifestante é detido sem motivos, agredido com spray de pimenta após imobilizado, colocado em automóvel não identificado pela PM, levado a uma delegacia não informada e a ação dos advogados é obstruída.
- Noticia de jornal não é poesia.
- Não saiu em nenhum jornal.

Poesia conceitual II

Manifestante é detido sem motivos, agredido com spray de pimenta após imobilizado, colocado em automóvel não identificado pela PM, levado a uma delegacia não informada e a ação dos advogados é obstruída.
- Isso não é poesia.
- Também não é democracia.

Poesia conceitual III

Manifestante é detido sem motivos, agredido com spray de pimenta após imobilizado, colocado em automóvel não identificado pela PM, levado a uma delegacia não informada e a ação dos advogados é obstruída.
- Por que insiste nesse tema?
- Porque o tema existe.

Poesia conceitual IV

Para o espetáculo internacional, jornalismo em tempo real.
Para denunciar o abuso estatal, a violência policial e o escambau,
se virem com o boca a boca.

Poesia conceitual institucional número V

E quem falar será detido, agredido após imobilizado, colocado em automóvel não identificado pela PM, levado a uma delegacia não informada e a ação dos advogados será obstruída!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Coluna do leitor: Tá Chegaaando a Hora

. . Por Mistura Indigesta, com 0 comentários

(por Márcio M. Ribeiro)

Minha relação com o futebol sempre foi muito mais de admirador do que de jogador, mas gosto de lembrar de duas partidas nas quais entrei em campo. Em nenhuma delas joguei com Pelé [1]. A primeira foi no começo dos anos 2000 em uma praia isolada de Ilha Bela. Lembro de como me senti em casa jogando na areia com um grupo de caiçaras que acabara de conhecer, mas que em menos de 45 minutos já me chamavam de Magrão. A segunda foi na Grécia, dez anos depois, com colegas de laboratório. Havia algo de certo na primeira partida e algo de errado na segunda. Sempre desconfiei que isso se relacionava com o fato de que os primeiros, como eu, jogavam se imaginando como seus ídolos. Cada jogada, ou era a frustração de não conseguir estufar aquele filó como sonhávamos, ou a consagração da firula exata invejada pelo compositor [2]. Além desta referência ao imaginário da infância, outra dimensão que deve ter alguma relevância é toda a gama de significados que eu compartilhava com aqueles de pés descalços, mas não com meus colegas de trabalho. Apesar de tudo o que tínhamos em comum, os europeus jamais compreenderiam o orgulho de Jackson do Pandeiro em 62 [3], as ironias de Moreira da Silva em 66 [4] ou a frustração de Luís Americo em 74 [5]. 

Passada a nostalgia que vem forte quando estamos longe, a pergunta que nunca me saiu da cabeça sempre foi: de onde vem esses significados compartilhados? Esse sentimento ufanista que doentemente me faz achar poético o menino que deixa a vida pela bola? [6

Já no começo do século XX Carmem Miranda repetia incansavelmente que "todos têm seu valor" [7], muito mais para convencer a si própria do que ao resto do mundo do valor do "povo brasileiro" em geral e do "caboclinho" em particular. Nem Leônidas, nem o tal povo brasileiro jamais precisariam disso, mas por aqui parece difícil se livrar deste sentimento. Eis que no fim dos anos 50 e começo dos 60, enfim, "provamos" nosso valor. Didi, Garrincha e Pelé mostraram pro mundo o que era "nossa" escola, como cantou Tom Zé anos depois: "[nessa época] ninguém sabia que diabo era brasil, se a capital disso aqui era la paz ou buenos aires (...) a gente não era nada. E deus se manifestou na forma dessas criaturas Pelé, Garrincha etc. para nos engrandecer como povo. Para a admiração do mundo" [8]. Pouco depois veio o golpe e os militares não perderam a chance de transformar esse sentimento de país colonizado em puro e simples ufanismo. "Torci, sofri, mas afinal ganhei o mundo. Sou tricampeão do mundo" cantavam os Golden Boys nessa época [9] (lembro desta música sempre que ouço aquela propaganda com o Paulo Miklos e a Fernanda Takai). Mas foi também na década de 70 que se acentuou o processo inverso. Nunca mais seria lançada uma música enaltecendo o futebol sem que viesse outra a reboque criticando-o. Se Jorge Ben homenageava Pelé [10], Gonzaguinha lembrava que craque mesmo é o povo brasileiro que carrega esse time de terceira divisão [11], povo que sempre soube que aqui só não há revolução porque nosso time sempre é campeão [12]. Enquanto Wilson Simonal tentava nos convencer de que aqui era o país do futebol e a deixarmos todo o resto pra fora [13] (como o Pelé no comercial do supermercado), Gabriel Pensador nos lembrava de que, se aqui era o país do futebol, é porque futebol não se aprende na escola e que, se de vez em quando nasce por aqui um Brazuca, o tempo todo morrem Zé Batalhas assinados pela PM [14].

Este ano a copa do mundo de futebol masculino será aqui perto. Neymar continuará fazendo seus gols e continuaremos sendo presos (por aqui, atacar pela esquerda é caso de polícia [15]) e haverá comemoração e haverá luta.

2  O Futebol - Chico Buarque
3  Scratch de Ouro - Jackson do Pandeiro
4  Morengueira contra 007 - Moreira da Silva
5  Camisa 10 - Luis Americo
7  Deixa falar - Carmen Miranda 
8  Frevo do Bi - Jackson do Pandeiro/Tom Zé
9  Sou tri-campeão - Golden Boys
10 O nome do rei é Pelé - Jorge Ben
11 E por falar em Pelé - Gonzaguinha
13 Aqui é o país do futebol - Wilson Simonal
14 Brazuca - Gabriel Pensador
15 Bola pra frente - Tom Zé

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Márcio M. Ribeiro começou sua carreira como goleiro-artilheiro em partidas de gol-a-gol com seu irmão. Quis a vida lhe oferecer novos destinos, logo passou a treinar como pivô de três dentro três fora com os amigos da rua. Jogador dedicado, sempre focado no trabalho em equipe, conquistou respeito. Hoje, atua no time de professores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, continua se destacando por seu posicionamento dentro e fora de campo e por suas belíssimas assistências.

domingo, 11 de julho de 2010

Nacionalismos dos Trópicos

. . Por Thiago Aoki, com 0 comentários

O cara que pela vez primeira afirmou que Deus é brasileiro deve ser como aquele outro que disse que o trabalho dignifica o homem: no mínimo um otimista. Pois tanto me parece improvável conhecer tal nacionalidade do todo-poderoso, como também essa ideia de que trabalhar leva a uma elevação moral, embora vivamos ambas constatações como se fossem paradigmas irreversíveis. O fato é que mal acaba a copa da África e um surto de nacionalismo parece tomar conta dos meios de comunicação, já prevendo os dois maiores eventos esportivos internacionais em terras tupiniquins, a Copa do Mundo de futebol (2014) e Olímpiadas (2016).

Parece-me um tanto quanto contraditório que vistamos verde-amarelo, exibindo a todos vídeos com nossas belezas naturais e, concomitantemente, joguemos pedra em uma política externa que de algum modo, tenta, finalmente, nos tirar do papel periférico imposto por toda nossa história.

Assim como é quase piada um país tão "nacionalista" e que ainda tenha, todo santo dia a cada esquina, tanto preconceito de classe, cor e gênero. Essa suposta união trazida por eventos esportivos é balela. Balela tão grande como os torcedores que terão oportunidade ($$$) de assistir aos jogos da seleção em 2014, provavelmente, bem diferenciado daqueles que realmente compõem o imaginário do futebol brasileiro em seu cotidiano sem copa.

Mas vindo de um país no qual quem diz "isto é uma vergonha" humilha garis, em que o Lula se alia ao Collor, nosso nacionalismo esquizofrênico é apenas mais umas das inconsistências contemporâneas desse gigante ornitorrinco adormecido.

Há algum tempo atrás, quando frequentava alguns antros anarquistas, estes se vangloriavam pelo célebre lema "sem Deus, sem pátria e sem patrão". A esquerda, noutro sentido, vaiou, em festivais musicais, artistas que possuíam influência do imperialismo ianque, o tal do iêiêiê, música de alienado. A direita, por sua vez, sempre foi pátria, família e propriedade, ainda que Nelson Rodrigues tenha dismistificado a tríade.

Pensando hoje em contradições históricas e todo esse ufanismo esportivo, é recorrente em minha viagem sociológica a Antropofagia dos primeiros modernistas. E me impressiona como a resposta desse movimento atende aos requisitos da globalização que ocorre décadas e mais décadas depois. A ideia é simples a grosso modo: assim como os índios devoram seus inimigos para apropriar-se de suas virtudes, o mesmo deveríamos fazer com as influências externas e com as distintas formas de produção cultural. Valer-se delas para fazer algo novo e com características nacionais. O modelo-síntese é a apropriação shakespeariana do "tupy or not tupy, that is the question", frase utilizada por Oswald de Andrade no psicodélico "Manifesto Antropofágico". Hoje o maior exemplo prático dessa antropofagia talvez seja o Rap brasileiro, que pouco tem de semelhante, em seu conteúdo, com o Rap produzido nos EUA, país de origem. Nesse bololô global, é praticamente impossível pensar em algo genuinamente nacional, unicultural. E nem deve ser, essa suposta pureza seria mais um limite do que uma qualidade. Entretanto é muito viável pensar que uma produção com criatividade nacional tem um valor subjetivo diferenciado para nós, em suma, uma identidade.

Dizer que acreditamos na população, na cultura e na nação brasileira é tão fácil como dizer que acreditamos que Deus é brasileiro. Difícil, porém, é praticar palpavelmente tal crença no dia-a-dia. Aliás, muito dos que praticam, os verdadeiros nacionalistas, sequer querem saber que raios significa essa palavra. E muitos cujos lábios a pronunciam, pouco fazem por merecer tal título.

De qualquer modo, na hora de sermos nacionalista - e, acreditem, eu tento ser - é melhor sabermos diferenciar um Anauê de um Abaporu.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Copa Chata, Música (i)Legal

. . Por Thiago Aoki, com 1 commentário

A Copa do Mundo freiou por alguns dias as postagens nesse Blog. Tento hoje sair de meu ostracismo literário, aproveitando o jogo entre EUA e Eslovênia, provavelmente tão ou mais péssimo como os demais, em uma copa em que a coisa mais legal tem sido a "supercâmeralenta". O legal é ficar bolando teorias conspiratórias sobre os destinos da Copa, como por exemplo o fato de a África do Sul ter sido praticamente eliminada por um time só de brancos (Uruguai) em um dia símbolo da luta contra o apartheid, 34 anos do massacre estudantil de Soweto. Ou então o gol do Maicon contra a Coreia do norte que foi uma "BOMBA"! (tá, essa foi de mal gosto..) Melhor ainda são as gafes que as TVs adoram cometer nessa época. A mais recente foi aquele canal americano que colocou o mapa da América do Sul enquanto falava da Copa da África, há quem diga que a foto, reproduzida à esquerda seja uma montagem. Com o time razoável dos ianques, talvez eles já estejam melhor no futebol do que na geografia, ou simplesmente estejam demonstrando curiosa dificuldade em enxergar as periferias mundiais.

Voltando às gafes, a moda é o "Cala Boca Galvão". Para quem não sabe foi uma falsa campanha publicitária, difundida pelo mundo, típica de quem não tem o que fazer. Nela, espalhou-se para a gringaiada, via redes sociais, que cada pessoa que escrevesse "Cala Boca Galvão" no twitter doaria U$0,10 para a fundação brasileira que estaria preservando um raro papagaio em extinção da espécie Galvão. A solidariedade foi tanta que a frase foi a mais dita na internet por dias e obrigou o NYTimes a emitir nota desmentindo a falsa instituição de caridade. Pra quem não acredita, veja o genial vídeo "Save Galvao Birds Campaingn". Mesmo assim, ainda acho que a Copa sem Galvão é como BBB sem Bial ou Flamengo sem Obina: fica melhor, mas perde a graça. Aliás, a campanha lembrou o Peru Pequeno, vídeo hit da copa de 2006, quando algum malvado fez com que torcedores japoneses gritassem "Peru Pequeno" efusivamente, sob a justificativa que isso significaria "Zico is the best". Na época, Zico era treinador da seleção oriental.

A internet tem dessas. Aliás, outra boa surpresa que tive na rede, ao buscar músicas para uma viagem, foi a descoberta de Blogs cujos autores disponibilizam discos inteiros para download. Não entrarei aqui na discussão sobre direitos autorais, e o politicamente correto que esquece que é inviável que um CD tenha o valor de 10% do salário mínimo. Mesmo assim, faço questão de divulgar esses Blogs - já inclusos em nossa Sessão Recomendamos - que disponibilizam as músicas sem motivação mercadológica, mas pela paixão pelas canções. Aliás, muito mais legal do que os arquivos para download são as resenhas e crônicas muito bem feitas sobre os artistas e a música. Vamos ao jabá:

Playlist Pessoal - Como o próprio nome já diz, o autor disponibiliza para Download centenas de CDs e músicas que integram seu repertório auditivo pessoal. Mais legal ainda são as coletâneas com misturas temáticas - e perfeitamente idigestíveis - organizadas voluntariosamente pelo autor do Blog. Música e Playlist de ótima qualidade.

Sintonia - Mais um site com diversos CDs disponíveis para download, mas, se visitá-lo, não pare por aí. Informações variadas sobre cantores e conjuntos, bem como histórias dos bastidores da música e áudios pra lá de raros. Destaque especial sobre os artigos e musicais disponíveis sobre a música baiana. Vale a pena entrar em sintonia com esse blog.

Abracadabra - Um trabalho fantástico, penoso e minucioso. Há, neste blog, LPs dos mais diversos, em geral das décadas de 1960/70, do gênero MPB. Todos incrivelmente disponíveis para download gratuito, com excelente qualidade de gravação e remasterização.


Por fim, acho que outro portal que merece nosso respeito é o da gravadora Trama, que tem interesse comercial como todas as outras, mas isso não os impediu de sacar que a música deve, até para se vender um conceito e não apenas o disco, ser mais respeitada. Na onda da impossibilidade de limites da rede, a gravadora deixa discos inteiros prontos para serem copiados, atitude justificada por um Manifesto muito bem escrito. Mais que ideologia, me parece uma resposta coerente, um "se não pode contra eles, jogue com eles".


Falando em jogar, preciso exercitar meu antihegemonismonorteamericano, torcendo pra Eslovênia.


A todos uma boa copa e uma boa música...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Copa vem aí...

. . Por Thiago Aoki, com 2 comentários

Que o futebol é parte integrante da Cultura Nacional, isso é um fato. E fica ainda mais evidente a cada Copa do Mundo como ele se constitui como parte da identidade nacional. Ainda mais se pensamos que nossa identidade é construída não apenas por nós mesmos, mas principalmente pelo modo como as outras pessoas nos enxergam. Tanto que alguns rebeldes em 1970 negavam-se, sob protesto, a torcer pela seleção brasileira, considerando o esporte como manipulação e alienação política. A seleção encantou e ganhou. Talvez hoje esses rebeldes sintam-se um tanto quanto arrependidos de tal proposicionamento ou ainda torçam o nariz ao ver tamanha espetacularização econômica que domina o esporte. Ou ambos. O número de marcas que apoiam a seleção nunca foi tão grande e a verba de contratos e patrocínios praticamente quadruplicou de 2006 para 2010. Dizer-se apoiador da seleção brasileira significa, na propaganda, dizer que sua empresa é responsável pela alegria proporcionada a cada brasileiro. E mesmo que não ganhemos a Copa, a culpa não será de quem investiu no time. Se intelectuais não gostam de tanto iêiêiê, quem trabalha certamente prefere perder 90 minutos da árdua escala para ver a amarelinha brilhar. Folguinha para ver os jogos da seleção é quase artigo da CLT. Em meio a essa euforia e super-produção futebolística que vivemos, lembro-me aqui, através de leitura do ótimo Blog da Redação do UOL, de uma das mais fantásticas jogadas de marketing que já existiram, realizada no final de 2009, na Itália, pela cerveja Heineken, patrocinadora oficial da Champions League.



O projeto ficou denominado como "Heineken Case Study" (Estudo de caso da Heineken) e tinha como alvo a grande partida da primeira fase da Champions League: Real Madrid x Milan, clássico que praticamente parou a Europa na época de seu acontecimento. A ideia era complexa. A Heineken combinou com pouco mais de 200 italianos entre professores, chefes executivos e namoradas para convencerem seus pares (alunos, empregados e namorados), todos fanáticos pelos times em questão, a assistirem a um concerto de música erudita que ocorreria no mesmo dia e horário do jogo, sem contar a estes que seriam vítimas da ação publicitária. Pois bem, a partir de argumentos esdrúxulos, torcedores fanáticos submeteram-se a assistir ao concerto e, durante a execução, um telão transmitia poesias diversas. Era claro no rosto de cada "espectador" a angústia e desespero por não estar acompanhando à partida. Após 15 minutos de tortura, aparece, no telão, algo como "É difícil dizer um não para sua namorada ?" "E para seu chefe?" "E para a partida?" "Como vocês iriam perder essa partida?". E logo a música característica da Champions League começa a ser ouvida e a reação da plateia é mostrada ao vivo para mais de 1,5 milhões de espectadores que aguardavam a transmissão da partida. "Nesse momento, Milan e Real Madrid estão subindo ao campo". E, então, a partida começa a ser transmitida ao vivo no telão, para alívio, aplauso e euforia das cobaia da "pegadinha" da Heineken.

Além da genial publicidade, que conquistou a web e noticiários durante aquele período, o que fica claro é o poderio que o futebol tem para com o mundo. A copa vai chegando e cada vez mais é difícil e constrangedor dizer-se não acompanhante do mundo futebolístico. Pior ainda é preferir concerto e poesia às quatro linhas. Por outro lado, seria argumento cult e elitista pensar que aqueles que preferem o clássico europeu à música clássica são atrasados culturalmente. Inclusive, acho que boa parte dos que se consideram "eruditos", preferem que apenas uma minoria tenha condição de ser. O fato é que se trata de dois eventos culturais distintos, cada qual com seu público-alvo e popularidade. Eu mesmo, confesso, preferiria ir ao estádio num jogo do Corinthians do campeonato paulista do que a um camarote do show do Chico Buarque no Citibank Hall, e creio que o próprio Chico entenderia minha escolha. Porque tanto é verdade a máxima de Guimarães Rosa já citada em outro post de que "pão ou pães é questão de opiniães", como aquela anônima que diz: "gosto é igual braço, tem gente que tem, tem gente que não tem".

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