VÍDEO: MURILO CAMPANHA CONTA ITATINGA

O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Bienal 2010 - Política, Rua e Rebolation

. . Por Thiago Aoki, com 1 commentário

Saiu, ontem, a lista de convocados para o evento que movimenta milhões e o Grafite está na lista. Poderia ser a seleção do Dunga, mas estou me referindo à Bienal 2010. Além da lista dos 148 artistas, os organizadores da Bienal afirmaram, em entrevista coletiva, que buscarão, neste ano eleitoral, uma exposição que possua olhar amplo para a política.

Prova disso é a confirmação da presença de pichadores, muitos deles idealizadores da fatídica intervenção no ano de 2008 - fato já analisado amplamente em postagem anterior. Como afirma o curador Agnelo Farias, "não tenho certeza se é arte ou não, mas certamente o trabalho deles é político". A organização também deixa claro que a presença dos pichadores se dará através de apresentações de seus trabalhos, por vídeos, fotografias, slideshows, afinal "não faria sentido convidá-los para pichar nem eles queriam ser cooptados pela instituição". Para este blogueiro, decisão mais que acertada, não só por da voz a novos atores culturais, como também por não fazer de gabinete uma expressão artística cujo cerne é o questionamento veementemente do "status quo" cultural.

Outro ponto alto da exposição deverá ser a homenagem ao aniversário de 30 anos da morte de Hélio Oiticica. Nada mais justo para uma Bienal que se proponha a falar sobre arte e política, intesecção tão bem feita pelo artista brasileiro, de referência internacional. Oiticica, que se considerava um anarquista, fazia questão de mostrar que a arte deveria extrapolar as paredes e chegar ao povo e às ruas. Neste sentido, levava consigo os famosos dizeres: "Seja Marginal, Seja Heroi". Com esse espírito, por exemplo, foi expulso do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1965, por levar integrantes da Mangueira vestidos com "Parangolés" - isso mesmo, pasmem, o mesmo nome da banda que lançou o hit Rebolation. "Parangolé" fora uma invenção do artista plástico que consistia, nas palavras do Wikipedia, em "uma espécie de capa (bandeira, estandarte ou tenda) que só mostra plenamente seus tons, cores, formas, texturas, grafismos e os materiais com que é executado (tecido, borracha, tinta, papel, vidro, cola, plástico, corda, palha) a partir dos movimentos de alguém que o vista. Por isso, é considerado uma escultura móvel". Vale lembrar também que a ideia dos parangolés foi inspirada em panos usados por mendigos do Rio de Janeiro. Sim, Rebolation, além de bom bom bom, também é cultura.


Documentário de Ivan Cardoso, 1979

Fora os "Parangolés", outra figura marcante da obra de Oiticica são os "Penetráveis", labirintos nos quais o espectador, ao entrar, interage de modo sensorial, através de olfato, paladar, visão e audição. Mostrando que para além da relação unilateral de contemplação, o público deve ser ativo e interferir no desenrolar da obra cujo funcionamento depende da atitude do próprio público. Deste modo, Oiticica brinca com a inércia e conformismo das pessoas, que simplesmente aceita o que lhes é imposto.

Oiticica foi um dos inspiradores e integrantes do Movimento Neoconcreto e Tropicalista, o qual considerava a "primeiríssima tentativa consciente de impor uma imagem 'brasileira' ao contexto da vanguarda". Infelizmente, no final de 2009, um incêndio destruiu mais de duas mil obras do artista, cerca de 90% de seu acervo que se encontrava na casa de seu irmão.

Sobre o desafio de abordar a obra de Oiticica em uma exposição como a Bienal, Moacir dos Anjos, outro curador, afirma que “serão dois conjuntos. Um deles terá o pensamento de Hélio sobre o que é ser herói, o que é ser marginal e seus ecos na arte de hoje. O outro recorte trará os projetos de utopia e distopia do artista, que serão vistos lado a lado de projetos do mesmo teor de agrupamentos como o Archigram [grupo de arquitetos britânicos utópicos, formado nos anos 60] e o Superstudio [grupo de arquitetos italianos utópicos, formado nos anos 60]”.

De qualquer modo, embora não saibamos o resultado de tudo isso, a Bienal 2010 -, que conseguiu multiplicar seus recursos de R$8 milhões (2008) para R$30 milhões (2010) devido à "adesão da sociedade" (leia-se: dinheiro dos empresários) - indica, nas suas preliminares, que certamente não será conhecida como Bienal do vazio. Melhor ainda, não só incorpora ao seu enredo novos "conceitos", mas principalmente novas práticas artísticas. Práticas essas que inclusive, metalinguisticamente, questionam a própria tradição da exposição. Junto com os pichadores, Oiticica invade a Bienal e picha em suas paredes, com letras garrafais e indefinidas, outra de suas frases favoritas, título de um de seus manifestos sobre o lugar da arte: "O Museu É o Mundo".

sábado, 29 de maio de 2010

Divulgando - Festival Internacional da Leitura de Campinas

. . Por Thiago Aoki, com 0 comentários


Acontece, a partir de hoje, o 2° Festival Internacional da Leitura de Campinas (FILC). Nós que, por vezes, criticamos a apatia cultural campineira, inadimissível por seu tamanho e estrutura, temos que reconhecer quão interessante se faz esta proposta. O evento, parecido até no nome com a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), ainda não possui tal dimensão, porém caminha, a passos largos para se tornar referência nos bastidores da literatura nacional.

Este ano, a programação conta com grandes nomes da literatura contemporânea. Só para citar alguns:

Thiago de Mello - Um dos principais poetas brasileiro do século XX, autor do magnífico "Estatutos do Homem", dedicado a Carlos Heitor Cony e escrito durante exílio no Chile, em 1964, onde teve Pablo Neruda como seu principal amigo. Talvez um pouco desconhecido por seu regionalismo, por sua raiz amazonense, que o tirou dos grandes centros cooptados pela indústria cultural brasileira.

Rubem Alves - Apesar de nascido em Minas, Rubem Alves é considerado o grande expoente campineiro na filosofia e educação. Sua fala, que este blogueiro teve oportunidade de ouvir algumas vezes, é um deleite, assim como suas crônicas e pensamentos. Seus temas prediletos são educação, tempo, envelhecimento, literatura, arte. Deu pra entender já né?

Gabriela Leite - Ex-prostituta, acabou se tornando socióloga pela USP. Talvez ali tenha percebido que sua antiga profissão não fosse assim tão imoral se comparada aos autos da academia. É fundadora da ONG Davida, que defende os direitos das prostitutas e idealizadora da Daspu, grife desenvolvida por garotas de programa.

Allan Sieber - Grande acerto em colocar os quadrinistas como parte integrante da produção literária . Dos contemporâneos, Sieber é um dos melhores e mais inovadores. Integrante do politicamente incorreto compartilhado por seu amigo André Dhamer, Sieber hoje escreve tiras para a Folha de são Paulo e possui o Blog "Allan Sieber Talk to Himself Show".

Vamos parar por aqui pra não ficar tão longa a postagem. Mas além de todos os convidados, o Festival terá como autora homenageada a grandiosa, imensa, Hilda Hilst. Por fim, diversos show e intervenções culturais ocorrerão durante as mesas e palestras. Para começar bem, a abertura oficial será hoje (29/05) à noite, com, nada mais nada menos que, Luiz Melodia e Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, imperdível.

Os eventos ocorrerão em três pontos da cidade: SESC, Lago do Rosário e Estação Guanabara.

Para maiores e melhores informações, consultem o site oficial, com a programação completa.
Mas, independente de tudo, mexa-se.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Divulgando - Virada Cultural Apresenta Programação Inusitada em 2010

. . Por Fernando Mekaru, com 1 commentário

Para aqueles que não conhecem, a Virada Cultural é uma iniciativa da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, inspirada em iniciativa semelhante de algumas capitais europeias, que tem como proposta a execução de inúmeras atividades e expressões culturais na capital do estado de São Paulo durante 24h ininterruptas. O evento é conhecido por sempre apresentar atrações de alta qualidade, pelo alto grau de variação dos programas propostos e pelo público, sempre numeroso.

A programação desse ano apresenta algumas atrações já esperadas (como os já tradicionais palcos de rock e samba). O mais curioso dessa edição, porém, são algumas adições completamente inesperadas - a Virada Cultural 2010 terá, pela primeira vez, espaços dedicados exclusivamente à cultura nerd (na chamada "Dimensão Nerd", na Praça Roosevelt) e à comunidade paulistana do body art (na Galeria Prestes Maia).

Além disso, o Cine Windsor terá uma maratona de filmes do Godzilla (sendo que quase todos não passaram nunca no Brasil), e o Cine Dom José continua com as maratonas de filme de terror, iniciadas no ano passado - a temática desse ano são os lobisomens, ao invés dos zumbis de 2009. O Cine Arouche, estreante desse ano, emplacará uma programação de 24h de musicais - incluindo clássicos obscuros, como Rocky Horror Picture Show, e grandes sucessos mainstream, como Mary Poppins e A Noviça Rebelde.

As tradicionais peças de teatro e shows musicais agora dividem espaço com práticas pouco ortodoxas, como Live Actions de RPG, apresentações de cosplay, suspensão corporal, shibari e o encontro do Conselho Steampunk, em uma inesperada mistura de cultura erudita, popular, urbana, trash, nerd e underground, surpreendendo muito na transição de uma edição a outra.

Essa programação indigesta ajuda a dar força ao evento, que mostra buscar novos públicos e novas expressões artísticas e culturais em práticas que quase sempre são deixadas de lado por serem restritas a um nicho e de serem amplamente desconhecidas entre o grande público. Ainda que não seja a prioridade, a apresentação dessas diversas manifestações de cultura alternativa são louváveis - tanto para variar as atividades da Virada, quanto para mostrar que há sempre muito mais para conhecer e apreciar do que aquilo que o senso comum coloca como cultura e arte.

À organização do evento, os parabéns por planejarem uma programação que ao mesmo tempo que consolida as atividades que deram o formato geral da Virada, ainda por cima abre espaço para novas expressões culturais, buscando a apresentação e popularização entre o público tradicional de atividades e demonstrações culturais que hoje são restritas a certos nichos, mas que possuem tanta validade e capacidade de expressão quanto as artes mais consolidadas e tradicionais.

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