segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Explosões Dinâmicas - Fotografia e Arte

. . Por Fernando Mekaru, com 1 commentário

A fotografia é um campo relativamente controverso da arte, por normalmente exigir uma série de explicações para que se justifique qualificar uma foto como arte e a foto que se tira da família como algo mundano, que vez ou outra acabam caindo no interminável e trabalhoso debate sobre o que caracteriza os trabalhos de uma determinada mídia como sendo arte ou não. Os trabalhos de Martin Klimas, porém, são rápidos em dispensar explicações e deixar muito claro que a fotografia é uma arte tão válida quanto a pintura ou a escultura.



Klimas especializou-se em fotografar objetos frágeis em queda, mais especificamente registrando o exato momento em que tais objetos acabaram de se partir em muitos fragmentos após atingir o chão: como o título da postagem diz, a fragmentação dos objetos é capturada em filme como uma explosão dinâmica, que concede movimento e intensidade a um ato que, sem a câmera, nunca poderia ser vista a olho nu.

É digna de nota a característica mais importante da explosão dinâmica: ela existe por um único instante, e é impassível de ocorrer da mesma maneira mais de uma vez - cada escultura se parte de maneira diferente ao encontrar o chão, e os fragmentos percorrem diferentes trajetórias e desenham "estruturas" diferentes graças a isso. Os trabalhos de Klimas, nesse sentido, apresentam uma interessante contradição: são muito efêmeros, por consistirem em um único instante que ocorre graças a inúmeras variáveis aleatórias, mas ao mesmo tempo são eternos, já que foram registrados pela câmera e podem ser reproduzidos inúmeras vezes por outros meios técnicos.



Capturando um único instante, que seria invisível ao olho humano nas condições normais, e congelando-o de maneira que as minúciais invisíveis a olho nu tornem-se detalhes muito importantes para caracterizar a imagem, a máquina fotográfica acaba por gerar interpretações e significados que nunca seriam apreensíveis sem a sua utilização. A fotografia, sob a óptica da criação de signficados que não poderiam ser expressos por nenhum outro meio técnico, acaba por se consolidar enquanto arte nas louças e cerâmicas recém-fragmentadas do fotógrafo alemão.



Veja mais trabalhos no site do autor.

1 palpites:

as mil partes de um instante... daria uma poesia! Gostei muito Mekarinho, principalmente do samurai. Abraços!

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